Nesta quinta-feira (30), a Promotoria do Consumidor do Ministério Público de Sergipe realizou uma audiência sobre o uso de agrotóxicos. Segundo o MPE, há um uso indiscriminado desse produto no estado, pois não existe um monitoramento efetivo em propriedades rurais de espécies de origem vegetal e até mesmo em criações de alguns animais.

Sergipe tem o cromatográfico, o equipamento capaz de fazer as análises necessárias, porém no Estado nunca foi feito esse monitoramento. O aparelho também precisa de outros equipamentos, que ficam acoplados nele, para conseguir fazer análises.

Conforme promotora Cláudia Calmon, nenhum alimento passa por uma análise da quantidade de agrotóxicos. Somente no programa Para, um projeto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é feito o monitoramento em coletas nos supermercados.

“Existe apenas um monitoramento feito pela Anvisa, porém esse programa também está parado há mais de um ano, o Governo Federal não vem investindo e nesse tempo não é realizada nenhuma análise em Sergipe”, disse Cláudia Calmon.

Segundo ela, já foram realizadas várias reuniões, onde foi conseguido firmar um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e com o município de Itabaiana para dar inicio a um projeto de monitoramento.

A Universidade, como já dispõe de todos os equipamentos, se comprometeu a fazer análises por um prazo de seis meses, dando os resultados em relatórios detalhados, como um diagnóstico sobre o que vem acontecendo, para o Ministério Público.

Na reunião houve um compromisso por parte da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Sedetec) de levar a proposta ao governador Jackson Barreto para em breve ter uma posição. A expectativa é dar inicio ao monitoramento em Itabaiana, que é o principal produtor, e depois estender o projeto a todo o estado.

A promotora alerta sobre os perigos da ausência de controle sobre o uso de agrotóxicos e alerta que eles podem causar câncer, distúrbios mentais e doenças neurológicas.

“Estamos consumindo veneno, a Universidade Federal de Sergipe já detectou até em água de coco o agrotóxico e em peixes criados em cativeiros que são contaminados pelas águas que, quando chove, essa água leva os agrotóxicos das plantações e contaminam os peixes”, conclui Calmon.