Sergipe é considerado o estado mais violento do Brasil e isso só vêm aumentando. Desde o inicio de 2017 um tipo especifico de violência vem ganhado destaque (negativo é claro) no pequeno estado, a violência contra profissionais da imprensa, em especial, radialistas e, estas quase sempre causadas por políticos ou seus agentes diretos. Um caso recente ocorreu nesta quarta-feira, (1º) em frente ao fórum de Umbaúba e envolveu um radialista e o secretário de Saúde do município.

Era por volta de meio dia quando o radialista Cléo Menezes foi agredido fisicamente em frente ao fórum de justiça do município quando saia de uma audiência onde era testemunha. Ao sair do prédio, disse ele, o secretario de saúde e irmão do prefeito Carlos Alexandre (Pato Maravilha) o segurou e começou a desferir vários socos contra ele.

“Ao sair do fórum e me dirigir ao meu veiculo passei por ele em silencio e dei cerca de três passos quando fui segurado por ele que já veio me dando vários socos. Só consegui me desvencilhar dele quando minha camisa rasgou e então entrei no prédio novamente. Ao vira para trás ele estava sapateando em cima dos meus óculos e depois já em seu carro passou e parou diante de mim em frente ao fórum e disse – isso foi pouco para o que você merece – e saiu”, relatou Cléo que em seguida prestou B.O e foi ao IML onde fez exames de corpo de delito.

Cléo Menezes afirma não ter dito nada ao secretário e acha que a agressão tem a ver com as informações veiculadas por ele nos programas dos quais participa e onde combate o que segundo ele é “nepotismo”, o fato de o prefeito ter quatro irmãos e a esposa como secretários, além de primos trabalhando na prefeitura.

Sindicato

O presidente do sindicato dos radialistas de Sergipe acompanhou o companheiro durante os exames e emitiu nota contando o fato e as possíveis medidas a serem tomadas. Veja a nota na integra a baixo.

Presidente do Sindicato dos Jornalistas e Cléo Menezes
– Mais um caso de desrespeito a um profissional da imprensa aconteceu na manhã desta quarta-feira, 1/2, no município de Umbaúba, distante 109 km da capital sergipana. O radialista Cléo Menezes foi agredido a socos em frente ao fórum de Justiça da cidade, de onde havia saído após audiência, onde é testemunha de acusação em um processo de compra de votos contra o atual prefeito da cidade, Humberto Maravilha (PMDB), ter sido adiada.

O radialista relata que ao sair do fórum em direção ao veículo, em frente a várias testemunhas, foi agredido de forma inesperada pelo secretário de Saúde do município de Umbaúba, Carlos Alexandre Santos Costa, conhecido como Pato Maravilha, irmão do atual prefeito. “Sem dizer uma palavra o secretário começou a me agredir, com socos no rosto e na cabeça. Tentei proteger o rosto, mas ainda sofri um corte, e isso durou cerca de três minutos”.

O radialista só conseguiu se soltar quando sua camisa rasgou. Ele correu para o fórum, mas seus óculos cairam. O agressor o pisoteou com agressividade. Cléo relatou ainda ter sido ameaçado pelo secretário, que entrou no carro, parou em frente ao fórum e disse para o radialista: “isso ainda é pouco, você merece mais. Tome cuidado”.

Acompanhado do advogado Edvan, o radialista prestou queixa na delegacia da cidade, ao delegado Paulo Cristiano. Em seguida, dirigiu-se à Aracaju onde, acompanhado do presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe, Fernando Cabral, realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

Questionado sobre a motivação do agressor, diz acreditar ser porque, “é testemunha em um processo contra o prefeito e combater o nepotismo na cidade”. Cléo acrescenta que “não tem nada de pessoal e nem contra a gestão, apenas exerce e continuará exercendo o papel de cidadão fiscalizador e o de radialista, que é informar e dar voz as pessoas”.

(Com informações do Sindicato dos Radialistas) | Foto Sindicato dos Radialistas

Apenas me defendi

Em entrevista concedida ao Radialista Gilson Ramos que comanda o jornalístico Gata Amarrada pela Ilha FM ao meio dia, o Secretário Pato Maravilha negou ter partido para cima do radialista e agredido de forma proposital e disse que apenas exerceu o seu direito de defesa pois se sentiu agredido por ouvir palavras chulas e xingamentos contra sua mãe (já falecida)  proferidas pelo radialista.

“Eu apenas me defendi contra as agressões que sofri quando ele veio me chamando de palavras imorais e xingando a minha mãe, uma senhora morta. Logo ele que foi criando lá em casa, comendo da mesma comida. E pra piorar, ele não tem moral pra reclamar de nada, um homem que responde processo na lei Maria da Penha por agredir uma mulher, ele não merece meu respeito”, disse em sua defesa o secretario que afirmou ainda que no momento estava no fórum como cidadão e não como secretário.