Circulam nas redes sociais, material – dito – de protesto, onde imagens montadas com o rosto da presidenta Dilma Rousseff, em que ela aparece de pernas abertas e sendo. As montagens estão estampadas e coladas na entrada no tanque de gasolina dos carros, que, quando abastecidos, passam a ideia de que a bomba de gasolina está penetrando sexualmente a figura falsa da presidenta.

MISÓGINOEssa suposta forma de protestar não agradou muitos aos olhos de quem já viu as imagens e desagradou principalmente à pessoas do sexo feminino que identificaram os supostos protestos apenas como uma “aberração machista”. “Os adeptos dessa aberração machista com a falha intenção de “protestar” contra o aumento da gasolina parece que, para eles a melhor analogia para um protesto é um estupro, uma violação sexual que ainda é exibida como se fosse algo engraçado”, escreveu a jornalista Jarid Arraes, em sua coluna Questão de Gênero, no Portal Revista Fórum.

Segundo ela, o protesto que mais se assemelha a uma aberração, mostra a penetração como uma forma de punição contra a presidenta, que está sendo “castigada” por ter subido os custos do abastecimento. Para ela, o pior de tudo é saber que boa parte das pessoas que compactuam com esse tipo de atitude fazem parte de camadas conservadoras, que defendem uma suposta “preservação da família” e uma ideia de moral pautada nos anos 40. Hipocrisia pura segundo Jarid.

Vale lembrar porém que a mensagem que estes estão passando para as pessoas nas ruas, incluindo crianças, que verão a imagem da presidenta de pernas abertas e darão de cara com a bomba de gasolina “entrando” em seu corpo dessa maneira.

Essa prática, que jamais deve ser chamada de protesto, evidencia que faltam argumentos políticos e embasados em fatos, análises sérias e dados convincentes para respaldar as críticas contra o governo Dilma. Porque, sim, é possível criticar o governo atual e até mesmo manifestar revolta sem apelar para misoginia e analogias de estupro. A presidenta Dilma não deu o seu consentimento para que isso fosse feito, com essas montagens grotescas; certamente, essa prática só serve para banalizar e naturalizar, ainda mais, a violência sexual contra as mulheres.

Quem também se mostrou indignada com o fatídico protesto foi a senadora pelo PT do paraná Gleisi Hoffman que publicou em sua pagina no Facebook um desabafo com a hastag #ÉPelaDignidadeFeminina. Veja a publicação a seguir.

GLEISI ROFFMAN
FOTO: FACEBOOK DE GLEISI ROFFMAN

Indignada com a violência de gênero cometida contra a presidenta Dilma Rousseff com a criação de adesivos misóginos, que ridicularizam a condição feminina e pregam a cultura da agressão sexual. Isto não é forma de protestar nem argumento político. Devemos respeitar uns aos outros sempre, principalmente quando se trata da presidenta e de uma mulher. Não se cale diante dessa violência. Mostre sua indignação. #ÉPelaDignidadeFeminina

Misógino …

Palavra composta do grego (misó: odeio, detesto e gine: mulher.) Por tanto aquele que odeia, ou detesta as mulheres em amplo aspecto e não somente no sentido sexual.

Misoginia: É o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas (mulheres ou meninas). Está diretamente ligada à violência contra a mulher. Misoginia é o antônimo de filoginia, que é o apreço, admiração ou amor pelas mulheres, embora o termo “filoginia” possa ser considerado preconceito benevolente.