Uma força-tarefa das Delegacias de Itabaianinha, Boquim, Umbaúba, Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci) e Divisão de Inteligência e Planejamento Policial (Dipol) desarticulou nos Estados da Bahia e Sergipe nove pessoas de uma quadrilha suspeita de praticar o crime de latrocínio contra o ex-prefeito de Itabaianinha Joaldo Lima de Carvalho, conhecido como Joaldo da Laranjeiras, morto com um tiro de escopeta calibre 12 em sua fazenda, no povoado Terra Vermelha, em Itabaianinha, na noite do dia 1º de maio deste ano.

Delegado Francisco GerlândioDe acordo com o delegado de Itabaianinha, Francisco Gerlândio, responsável pelo inquérito, a quadrilha pretendia roubar dinheiro e armas da casa da vítima. Toda a fase de planejamento do crime foi feita pelo ex-vaqueiro da fazenda Cristiano dos Santos Santana, 30 anos, que trabalhou seis anos na propriedade rural.

“Ele acreditava que na sede da fazenda havia um cofre com muito dinheiro, joias e armas, mas a realidade foi diferente do que eles pensaram”, disse o delegado.

Delegado Eurico CésarNo decorrer das investigações, o delegado passou a trocar informações com o delegado de Boquim, Eurico Nascimento, que também investigava crimes de assaltos violentos a chácaras ocorridos no município há algum tempo.

“Nessa troca de informações, descobrimos que as pessoas que agiam em Boquim foram as mesmas que teriam praticado o latrocínio contra o ex-prefeito”.

A partir da identificação do idealizador do crime, a polícia localizou e prendeu o irmão dele Roberto Santos Santana, 22 anos, Danilo Xavier dos Santos, 24 anos, autor dos disparo fatal que atingiu a nuca da vítima, Edvaldo Nascimento de Jesus, 37, Antônio Santos Peixoto, 33, Nilson Veloso Santos Andrade, 20, Antônio Carlos de Jesus Santos, 33, José Edinandson Moreira Santana, 27, e Roberto Batista de Oliveira, 38 anos, vulgo ‘Bertinho’.

Segundo o coordenador operacional da Copci, delegado Dernival Eloi, Bertinho é apontado como autor de vários assaltos a chácaras na região de Itabaiana. Ele foi preso há cerca de 10 dias por assaltos, mas ainda não havia uma ligação dele com o crime ocorrido em Itabaianinha.

Com a intensificação das investigações, a Polícia Civil descobriu que os irmãos Roberto e Cristiano estavam escondidos em Quinjingue, sertão da Bahia. “O prendemos com total apoio da 25ª Coorpin (PC/BA), 5º Batalhão e CIPE/Caatinga ambos da PM/BA. Eles foram fundamentais para o êxito da operação”, destacou.

Delegado Everton dos SantosPara o delegado-geral Everton Santos, a partir da prisão de Cristiano a polícia descobriu que ele arregimentou Danilo, responsável pelo disparo.

“Danilo roubou uma escopeta caseira da vítima e começou a agredi-lo violentamente com golpes na cabeça. Num desses golpes a arma disparou e ele matou o ex-prefeito instantaneamente”, explicou. Depois da morte, os criminosos roubaram uma Fiat Strada, uma motocicleta, uma bolsa contendo alguns pertences, uma televisão, duas armas de fogo e R$ 2 mil em dinheiro, que foi retirado do bolso da vítima.

arma apreendidaO veículo foi encontrado no dia seguinte totalmente queimado, mas os demais pertences, inclusive a arma do crime não foi localizada. Na apresentação feita a imprensa, a Polícia Civil apresentou duas armas de fogo, sendo uma delas uma pistola, que no dia anterior ao latrocínio do ex-prefeito, foi utilizada por José Edinandson para matar um desafeto. Na Bahia, a polícia também apreendeu celulares e mais armas.

Vários integrantes da quadrilha têm passagens por homicídio, latrocínio, tráfico de drogas, receptação de produtos roubados, entre outros.

Foragidos

As investigações vão continuar no sentido de localizar outros dois foragidos que já foram identificados. O delegado Everton destaca que além dos nove presos, a Polícia Civil descobriu que um dos suspeitos mortos em confronto na cidade de Boquim na semana passada de nome José Bomfim também tinha ligação com essa quadrilha.

Crime político

Everton descarta qualquer possibilidade de crime político ou algo relacionado a profissão da vítima. “As investigações não dão margem para outra conclusão que não o latrocínio. Eles confessaram o crime e toda a trama”. Acompanhados do delegado-geral, os delegados que participaram da investigação foram ao gabinete do secretário Mendonça Prado para passar as conclusões do inquérito.

ReuniãoNa oportunidade, Mendonça parabenizou o excelente trabalho desenvolvido pela Polícia Civil, que culminou na elucidação rápida do caso.  “Hoje é um dia muito importante para os senhores. Isso foi bom para a polícia e para toda a sociedade”, disse.

O Secretário também pediu nomes das unidades das Polícias Civil e Militar da Bahia para formalizar um agradecimento institucional pelo apoio dado a polícia sergipana na cidade de Euclides da Cunha e Quijingue.