Um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral terminou em uma grande operação da Polícia Federal em 12 estados, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Tocantins, incluindo Sergipe. De acordo com as informações passadas pela assessoria de comunicação da PF em Brasília a Operação Timóteo envolve cerca de 300 policiais federais que cumprem mandados de busca e apreensão em 52 diferentes endereços relacionados com o grupo criminoso.

Em Sergipe, a Polícia Federal informou que não houve mandados de prisão, somente busca e apreensão. Conforme já noticiado na manhã desta sexta-feira,16, os agentes federais estão cumprindo mandados  contra o ex-prefeito de Capela, Manoel Sukita Santos.

De acordo com informações do advogado Emanuel Cacho, o ex-prefeito acabou envolvido nesta Operação da Polícia Federal, denominada Timóteo, por ter contratado um escritório de advocacia na época em que exerceu mandato de prefeito daquele município e este escritório está sendo acusado de envolvimento em suposto esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral.

Ainda, segundo a PF, o Juiz do caso determinou ainda que os municípios se abstenham de realizar quaisquer atos de contratação ou pagamento aos três escritórios de advocacia e consultoria sob investigação. Além das buscas, os policiais também cumprem, por determinação da Justiça Federal, 29 conduções coercitivas, quatro mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária, sequestro de três imóveis e bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar R$ 70 milhões.

Mapa da organização

Até onde a Polícia Federal conseguiu mapear, a organização criminosa investigada se dividia em ao menos quatro grandes núcleos: o núcleo captador, formado por um Diretor do DNPM e sua esposa, que realizava a captação de prefeitos interessados em ingressar no esquema; o núcleo operacional, composto por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria em nome da esposa do Diretor do DNPM, que repassava valores indevidos a agentes públicos; o núcleo político, formado por agentes políticos e servidores públicos responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia integrantes do esquema; e o núcleo colaborador, que se responsabilizava por auxiliar na ocultação e dissimulação do dinheiro. Entre uns dos investigados por este apoio na lavagem do dinheiro, está uma liderança religiosa que recebeu valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. A suspeita a ser esclarecida pelos policiais é que este líder religioso pode ter emprestado contas correntes de uma instituição religiosa sob sua influência com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.

A Operação Timóteo começou em 2015, quando a Controladoria-Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM. Apenas esta autoridade pública pode ter recebido valores que ultrapassam os R$ 7 milhões.

Timóteo

O nome da operação é referência a uma passagem do livro Timóteo, integrante da Bíblia Cristã: 9 Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição.