A pressão das ruas que marcaram presença durante importantes decisões do governo da presidente afastada Dilma Rousseff já mostrou sua força logo no inicio do governo do presidente em exercício Michel Temer que poucos dias após ter extinguido o Ministério da Cultura (Minc) transformando-o em uma mera secretaria dentro do Ministério da Educação, se rendeu a pressão das ruas e anuncio a recriação do MINC.

O anuncio foi feito na tarde deste sábado, (21) pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, que até então era o chefe da cultura, pasta essa subordinada ao seu ministério. P comando o novo Minc ficara a cargo de Marcelo Calero, anunciado na última quarta (18) como secretário nacional de Cultura. Mendonça Filho informou ainda em sua conta no Twitter, que a recriação do Ministério da Cultura será feita por meio de Medida Provisória e que a posse do novo ministro será na terça-feira (25).

No último dia 12, ao assumir como presidente em exercício, Michel Temer editou uma medida provisória (726/2016) na qual determinou mudanças na composição do governo. O presidente interino decidia naquele momento reduzir o número de ministérios fundindo as pastas de Educação e Cultura, mas a receita não rendeu como ele esperava. O Ministério da Educação e Cultura, nomenclatura que manteve até 1985, quando o então presidente José Sarney criou o Ministério da Cultura estava de volta.

Desde a decisão e durante toda esta semana artistas e servidores do antigo Ministério da Cultura, realizaram diversos protestos contra o fato e Temer pressionado não teve outra saída. Nesta sexta-feira (20), edição extra do “Diário Oficial da União” publicou medida que dava status de “natureza especial” ao cargo de secretário da Cultura. Apesar de Temer ter anunciado que, mesmo como secretaria, a estrutura da pasta seria mantida, os protestos continuaram e acabaram por surtir efeito o presidente em exercício decidiu reverter à decisão e devolver à Cultura o merecido status de ministério.

Antes de indicação de Calero, a intenção do presidente em exercício era nomear uma mulher para a comandar a área e assim responder às críticas por um ministério exclusivamente de homens.

Marcelo Calero

O novo ministro da Cultura, o carioca Marcelo Calero, 33 anos, é diplomata, estudou no Colégio Santo Inácio e se formou em direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Tem passagens pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Petrobras. Em 2007, passou a atuar como diplomata e chegou a trabalhar na embaixada do Brasil no México.

Calero trabalhou na assessoria internacional da Prefeitura do Rio e chegou a acumular a Secretaria Municipal de Cultura e a presidência do Comitê Rio450, órgão criado para organizar a celebração do aniversário da cidade.