Paixão de Cristo, espetáculo de cunho religioso, realizado em Nova Jerusalém, maior teatro a céu aberto do mundo, no município de Fazenda Nova, agreste de Pernambuco, atrai milhares de espectadores todos os anos. A peça é sempre a mesma, a história de vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, mas os atores que ajudam a conta-la são sempre outros a cada ano e isso mexe com a cabeça de alguns espectadores que ao ver os globais se transformam em verdadeiras tietes como se viu sexta­feira (7), na sessão para convidados.

Segundo Jesus Luz, que interpreta o apóstolo João, houve até gritos de “Jesus, gostoso”, durante a encenação. No elenco do cinquentenário, estão ainda Rômulo Arantes Neto, como o Nazareno, Letícia Birkheur, Joaquim Lopes, Raphael Viana e Adriana Briolli.

Rômulo Arantes e Jesus Luz, que interpretam Jesus e o apóstolo João, respectivamente, receberam todos os olhares do público que não conseguiu controlar os gritinhos de elogios. “Eu ouvi um ‘Jesus, gostoso!’, tive vontade de rir, mas me segurei. Ri depois!”, confidenciou aos risos Jesus Luz, que aparentou nervosismo durante a coletiva com a imprensa, mas se mostrou à vontade em cena.

Rômulo convenceu ao fazer um Jesus mais verídico, que sofre e grita de dor ao ser crucificado (os gritos estavam fora do áudio gravado). Vale ressaltar que os efeitos do sangue jorrando e a maquiagem cênica deixaram a cena bem mais realista. Sobre a sua estreia na Paixão, Rômulo falou que é um desafio. “Me sinto desafiado a dar o meu melhor. Quero transparecer o que Ele (Jesus) quer mostrar, que é o amor”, finalizou.

 

NOVIDADES E ATUAÇÕES

No ano em que completa cinco décadas, a Paixão de Cristo de Nova Jerusalém chamou a atenção nos detalhes. Na cena do bacanal, os personagens Herodíades (Aline Riscado) e Herodes (Raphael Vianna) surgem em uma gigantesca carruagem dourada conduzida por 16 escravos mascarados. Aliás, vale chamar a atenção para Aline Riscado, que assim como todos os atores, fez sua estreia no espetáculo pernambucano e encantou o público com a sua presença cênica.

Outro exemplo é a chegada de Pilatos (Joaquim Lopes) em uma biga romana puxada por cavalos que se locomove de forma ostensiva em uma passarela de pedras construída no cenário do fórum. Outras duas cenas foram bastante aplaudidas: a da Santa Ceia, onde Jesus (Rômulo Neto) e seus apóstolos param em uma posição que remete à “A Última Ceia”, quadro pintado por Leonardo da Vinci, e o enforcamento de Judas, que apesar de não ser novidade, ainda impressiona a todos pela veracidade que passa.

Além das novidades cênicas, merece destaque a escalação das atrizes Leticia Birkheur e Adriana Birolli, que deram vida a Maria e Madalena, respectivamente, elas levaram a emoção ao extremo, fazendo com que o público, mesmo ciente da condenação, fosse às lágrimas no momento da crucificação de Jesus. Letícia falou sobre a preparação para viver a mãe de Cristo.

“Busquei ajuda da coach Fátima Toledo para entender o texto e usei os meus conhecimentos católicos. Sou batizada, fiz Primeira Comunhão, Crisma, minha família é muito religiosa e interpretar Maria , essa mulher tão forte, é muito emocionate para mim”, comentou a atriz que também disse sentir dificuldade para sair da personagem no final do espetáculo.

Adriana também fez questão de lembrar da ambiguidade que é lidar com essa história. “É complexo e ao o mesmo tempo é simples porque fala de amor. Quem vem assistir isso aqui carrega muita coisa. Amor cura, né? E são 2017 anos perpetuando essa história de amor”, disse Birolli.