A clinica de Saúde da Família onde o carroceiro de 53 anos morreu por falta de atendimento foi fechada logo após o registro do caso. O carroceiro morreu nas primeiras horas dessa segunda-feira, 25/08, em cima de uma carroça por falta de atendimento.

wpid-wp-1408970244948.jpeg

A Unidade de Saúde da Família José Soares Figueiroa, no Conjunto Eduardo Gomes, São Cristovão, está com as portas fechadas. A população que buscou os serviços em saúde teve que voltar para casa sem ser atendida. O Fato aconteceu logo após a morte de um carroceiro no início da manhã desta segunda-feira por falta de atendimento médico, segundo populares.

Com as portas da unidade fechadas, os pacientes que buscavam os serviços médicos ficaram prejudicados. A atendente Jucimara da Silva,foi até a Unidade de Saúde para que a filha doente fosse assistida por um médico. No entanto, a viagem foi perdida.

“Ela está com febre, dor no corpo e não come. Vim aqui para consulta-la, mas não tem ninguém. E o pior é que não avisam nada. Isso só mostra o quanto que nossa saúde está abandonada. E ninguém faz nada em relação a isso”, critica Jucimara.

A dona de casa Maria Aparecida também foi prejudicada pelo fechamento nesta manhã da Unidade de Saúde da Família José Soares Figueiroa. Precisando tomar remédios controlados para os nervos, ela foi até o posto buscar a medicação que ela recebe de forma gratuita. Sem atendimento, Maria espera contar agora com a ajuda divina.

“Aqui é mesmo muito difícil. A gente não consegue nem contar com médicos. Agora, sem os meus remédios, vou ter que esperar por Deus. Por que com essa situação, só Jesus na causa”, diz a dona de casa.

O caso

O carroceiro morreu nas primeiras horas dessa segunda-feira, 25/08, em cima de uma carroça na Unidade de Saúde da Família José Soares Figueiroa, no Conjunto Eduardo Gomes, São Cristovão, por falta de atendimento médico.

Cristina Jesus de Almeida, 29, diz que acompanhou todo o fato. Ela conta que por volta das 2h da manhã desta segunda, se dirigiu até o posto de saúde para guardar um lugar na fila para marcar um exame. Segundo ela, o carroceiro procurou a unidade de saúde sentindo fortes dores no abdômen no mesmo horário em que ela.

“Ele veio de carroça e estava com um filho e um neto. Buscou atendimento, mas como não conseguiu, foi embora. Algum tempo depois, ele retornou ainda com dores, mesmo assim não foi atendido”, relatou. Sem atendimento médico, ele morreu na carroça na frente da urgência do posto.

wpid-wp-1408970252526.jpeg

A testemunha afirma que as pessoas que presenciaram o fato chegaram a telefonar para a Samu para que o homem fosse levado a algum hospital, mas também não teve sucesso. “Ligamos para a Samu, mas a ambulância só chegou aqui depois das 5h da manhã. Mas aí já era tarde demais”, afirma Cristina.

Leandro Gomes, genro do falecido, falou da revolta da família com a morte. Ele afirma que havia médicos no Posto, mas mesmo assim o atendimento foi negado. “Ele veio buscar atendimento, mas não teve. Deixaram ele morrer em cima da carroça. Não providenciaram nem mesmo um carro para a transferência. Quando viu que meu sogro morreu o médico fugiu. É uma vergonha que isso tenha acontecido”, reclamou Leandro.

A assessoria da comunicação da Secretaria Municipal da Saúde de São Cristóvão prefereiu não comantar o caso.